Quem somos?

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Com a discussão da PEC-55 (Proposta de emenda constitucional) na UFCA, conhecida como PEC dos gastos federais, ficou clara a necessidade de discutir conceitos de economia. Nas reuniões, muitas delas compostas pelos três setores da universidade (estudantes, professores e técnicos), muitos colocavam que deveríamos entender a PEC pelo viés técnico da economia, compreendendo-a como uma ciência que daria uma solução neutra, a partir da contemplação de dados, para a questão dos gastos públicos.

O economista, que até a década de 1980, início do período de adoção da cartilha macroeconômica neoliberal, era considerado um cientista social que deveria compreender a realidade e propor soluções para seus problemas, passa a ser um técnico que apresenta dados com conclusões únicas. Nesse sentido, é interessante a posição de Paulo Freire, quando analisa o trabalho de extensão do agronômo no campo: “O agrônomo não pode, em têrmos concretos, reduzir o seu quefazer a esta neutralidade inexistente: a do técnico que estivesse isolado do universo mais amplo em que se encontra como homem. (…) Esta indeclinável responsabilidade do agrônomo, que o situa como um verdadeiro educador, faz com que êle seja um (entre outros) dos agentes da mudança.” Essa concepção de economista e de ciência econômica deriva da adoção do mercado como o único regulador das relações humanas.

No entanto, a realidade trem mostrado a incapacidade do mercado de garantir os direitos fundamentais (educação, saúde, cultura) para a maioria da população. O desenvolvimento econômico, baseado no aumento do PIB-Produto Interno Bruto, está destruindo a natureza, aumentando a exclusão social e precarizando ainda mais os empregos. Essas discussões, desprovidas de uma análise histórica, é interessante para o capital e destrutiva para os trabalhadores. Para discutir questões como os gastos públicos, reforma da previdência, plano de demissões voluntários, reforma da CLT, todas propostas apresentadas pelo governo Temer, e que afetam diretamente todos nós, dentro duma perspectiva de outra sociabilidade alternativa ao capital, é imperativa a formulação de alternativas ao pensamento dominante na economia retomando discussões sobre os fundamentos do capitalismo, suas contradições.

O VIÈS- CARIRI tem o objetivo de discutir a Economia Política numa perspectiva crítica e emancipatória!