A sala de aula é um Teatro!

O Teatro Violeta Arraes será nossa Sala de Aula!

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 Inaugurado em 19 de Dezembro de 2002 pelo Governo do Estado do Ceará foi um presente para a meninada do sertão. Seu nome homenageia a sertaneja Violeta Arraes Gervaseau e o conjunto arquitetônico dos engenhos de rapadura da região do cariri, berço cultural do Ceará. Seu projeto Arquitetônico é de Maria Elisa Costa.

 “…Quando Maria Elisa me pediu que desenhasse  como eu imaginava ser o teatro, fui até o sertão perguntar como o sertão pensava um teatro pra ele…” (Alemberg Quindins)

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Desenho de Alemberg Quindins

O Teatro Violeta Arraes – Engenho de Artes Cênicas é um espaço para formação de plateia e gestores culturais nas áreas de direção de produção, produção cultural, sonoplastia, iluminação, cenário e roadie. Com uma programação aberta ao público, este espaço exibe semanalmente espetáculos nas áreas de música, dança, cineclube e teatro.

Sobre Violeta Arraes

Violeta Arraes aos 15 anos

Violeta Arraes aos 15 anos

Violeta Arraes tem sido, em suas atividades politicas e culturais, assim como em sua vida pessoal, um modelo de solução dos problemas estéticos, éticos e identitários do homem brasileiro. É que nela o movimento de desprovincianização se dá junto com o aprofundamento da identidade regional. O homem cariri afirma-se como homem brasileiro que, por sua vez, se afirma como homem do mundo.

Entre os últimos anos da década de 1960 e os primeiros da década de 1970, a casa de Violeta em Paris era como que uma embaixada do Brasil profundo na Europa. Os exilados pelo regime militar ali encontravam carinho e ensinamentos. Dos livros, filmes, peças bailes que eram recomendados aos modos a um tempo despojado e elegantíssimo que ela e seu marido Pierre Gervaiseau exibiam, tudo ali contribuía para a regeneração dos espíritos dilacerados pela infelicidade histórica.

Quando, depois da anistia,Violeta voltou ao Brasil, foi seu trabalho na Secretaria de Cultura do estado do Ceará que deu continuidade a esse gesto generoso, ampliando sua envergadura, pois tratava-se de oferecer a mesma acolhida aqueles que estão desde sempre exilados dentro do território nacional: os sertanejos, os esquecidos.

Violeta é uma cearense do Cariri que, ao lado de seu irmão Miguel Arraes, marcou a história de Pernambuco na primeira metade dos anos 1960; conheceu de perto o sofrimento dos primeiros expatriados da ditadura; acompanhou com cuidados maternais a segunda leva de exilados, a de depois de 1968; e voltou para orientar a participação do estado no desenvolvimento cultural da sua região. Em todos esses momentos ela foi um exemplo de dignidade. E segue nos ensinando,com conversas, com gestos,com as roupas que escolhe para vestir – e esperamos que outra vez também com poderes oficiais – como se faz para writemypapers.org dignificar o ser cariri, o ser nordestino,o ser brasileiro, o ser humano.

Texto Caetano Veloso